Magda Soares: Quem É, O Que Pesquisou e Por Que Importa para Professores

⚠️ Aviso de parceria: Este artigo pode conter links de afiliados. Se você adquirir um produto através desses links, podemos receber uma pequena comissão, sem nenhum custo adicional para você. Recomendamos apenas produtos em que acreditamos e que consideramos relevantes para professores e educadores.

Magda Soares é a pesquisadora brasileira que mais influenciou a forma como o Brasil pensa sobre alfabetização nas últimas décadas. Professora titular aposentada da UFMG, ela passou mais de sessenta anos estudando, escrevendo e defendendo posições sobre como crianças aprendem — e como deveriam ser ensinadas — a ler e escrever.

Ela não é só uma intelectual de renome. É uma pensadora que mudou o vocabulário do campo: foi ela quem introduziu no Brasil o conceito de “letramento” — que hoje é central nos debates sobre educação e que distingue o ato de decodificar letras do ato de usar a leitura e a escrita como práticas sociais reais.

Quem é Magda Soares

Nascida em 1931 em Belo Horizonte, Magda Soares formou-se em Letras pela UFMG e construiu toda a sua carreira acadêmica nessa instituição, onde lecionou por décadas e orientou gerações de pesquisadores. Aos mais de 90 anos, continua atuante — publicando, sendo entrevistada, participando de debates educacionais.

Seus livros são referência obrigatória na formação de professores em todo o Brasil. Alguns dos mais conhecidos:

  • Letramento: um tema em três gêneros (1998): a obra que sistematizou o conceito de letramento no Brasil e diferenciou letramento de alfabetização
  • Alfabetização: a questão dos métodos (2016): análise histórica dos métodos de alfabetização no Brasil, seus pressupostos e resultados
  • Alfaletrar (2020): sua obra mais recente e completa, onde propõe a integração entre alfabetização (o ensino do código) e letramento (o uso social da leitura e escrita) desde o início do processo

A contribuição do conceito de letramento

Antes de Magda Soares popularizar o termo no Brasil, o debate sobre alfabetização girava em torno de uma pergunta: o aluno sabe ler ou não sabe? Com o conceito de letramento, ela ampliou a pergunta: o aluno sabe ler — mas usa a leitura? Para quê? Em que contextos?

Letramento é o estado de quem não apenas decodifica palavras, mas participa de práticas sociais que envolvem a escrita: ler uma notícia, escrever uma carta, interpretar um contrato, entender a bula de um remédio. Uma pessoa pode ser “alfabetizada” no sentido técnico (sabe ler as letras) mas ter baixo letramento (não consegue funcionar em contextos que exigem leitura e escrita).

Esse conceito mudou a forma como escolas, pesquisadores e políticas públicas pensam sobre o que significa ensinar a ler.

Magda Soares e os métodos de alfabetização

A posição de Magda Soares sobre métodos não é dogmática — ela analisa evidências. Em seu livro de 2016, ela faz uma arqueologia histórica dos métodos de alfabetização no Brasil e mostra como o debate foi, por muito tempo, marcado por polarizações estéreis entre o método global e o método fônico.

Em obras mais recentes, especialmente em “Alfaletrar”, ela defende que a alfabetização eficaz precisa de ensino explícito e sistemático das correspondências letra-som (o que o método fônico oferece), combinado com práticas ricas de letramento desde o início. Não é uma coisa ou outra — é os dois, integrados.

Essa posição a coloca em sintonia com o que as pesquisas em neurociência da leitura têm mostrado: o ensino explícito do código é necessário, mas não suficiente. O contexto de uso da leitura e da escrita é igualmente importante.

Legado e reconhecimento

Magda Soares recebeu prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Jabuti. Mas seu legado mais duradouro talvez seja o vocabulário que ela deu ao campo: professores que hoje falam de letramento, de alfaletramento, de práticas de leitura como atos sociais — estão usando conceitos que ela desenvolveu e popularizou no Brasil.

Em 2021, a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte deu seu nome a um programa de alfabetização. Em 2022, o MEC incluiu referências ao seu trabalho nos materiais da Política Nacional de Alfabetização.

Por que conhecer o trabalho dela importa para professores

Professores que leem Magda Soares saem com mais clareza sobre as perguntas certas a fazer: Estou ensinando o código? Estou criando contextos de uso real da leitura? Os dois estão acontecendo juntos? Essa clareza não vem de seguir um método cegamente — vem de entender o que o método tenta alcançar e por quê.

Para quem quer começar, “Alfaletrar” é a obra mais atual e completa. Para quem tem interesse histórico, “Alfabetização: a questão dos métodos” é leitura essencial. Para quem quer o conceito fundador de letramento, o livro de 1998 ainda é o melhor ponto de entrada.

EC

Equipe Cultivar

Somos educadores e especialistas em alfabetização infantil. No CAD Cultivar compartilhamos métodos baseados em evidências, atividades práticas e recursos pedagógicos para professores e pais que desejam alfabetizar crianças com eficácia. Nosso conteúdo é fundamentado em pesquisas sobre Método Fônico, Consciência Fonológica e desenvolvimento da leitura e escrita.